
Por: Marco Dias
Membro Sénior nº15058
No debate público e político, é frequente surgir a ideia de que o SNS é um “sorvedouro” de dinheiros públicos. Este artigo pretende desmistificar essa perceção, apresentando dados concretos sobre a eficiência e a estrutura de custos do sistema.
Envelhecimento da população e impacto nos cuidados de saúde
Segundo dados da Pordata, em 2024 Portugal contava com mais de 2,6 milhões de utentes com idade superior a 65 anos. Esta faixa etária concentra maior necessidade de cuidados médicos e consumo de medicamentos, o que naturalmente aumenta a despesa.
Indicadores de eficiência do SNS
Consultas hospitalares
Cirurgias realizadas
Estes números evidenciam um aumento significativo na atividade assistencial, sinalizando maior capacidade de resposta.

Fonte: Conselho das Finanças Públicas (CFP)
Estrutura da despesa do SNS
De acordo com o Conselho das Finanças Públicas (CFP), a maior rúbrica é a aquisição de bens e serviços, representando 85,9% do total, com forte dependência do setor privado:
Somando estas componentes, obtém-se cerca de 7.234,5 M€, o que corresponde a ~85,9% da despesa com aquisição de bens e serviços.
A segunda maior rúbrica são as despesas com pessoal, que totalizam 4.220,6 M€. Dada a escassez de recursos humanos (médicos, enfermeiros e auxiliares) e os salários pouco competitivos face ao setor privado, não é realista reduzir esta componente.
Onde cortar sem comprometer a qualidade?
Especialistas em economia da saúde não recomendam cortes lineares, mas sim medidas estruturais para aumentar a eficiência:
Conclusão
O SNS não é um sistema ineficiente por natureza, mas enfrenta desafios estruturais. A solução não passa por cortes indiscriminados, mas por modernização, gestão baseada em valor e maior integração tecnológica, garantindo sustentabilidade sem comprometer a qualidade dos cuidados prestados à população.





