
Por: Jorge Fonseca de Almeida
Membro Conselheiro nº1083
A União Europeia tem vindo a redirecionar a sua economia para as indústrias militares, uma opção tomada na sequência da insensata decisão de alargar a NATO para as fronteiras da Rússia e que, previsivelmente, levaria a uma guerra com esta potência. Todas as fichas foram postas numa aposta de uma derrota da Rússia e de uma divisão desse país continental em várias entidades que pouco a pouco pudessem ser integradas na União Europeia. Neste cenário a energia russa continuaria a fluir e os recursos minerais russos passariam para o controlo ocidental. Um cenário apenas possível com a ajuda militar dos Estados Unidos.
A resposta russa na Ucrânia fez desabar esse sonho absurdo e teve consequências terríveis. O corte do comércio com a Rússia, voluntariamente abandonado através de um louco regime de sansões, foi um autêntico tiro no pé, que levou a União a trocar energia barata por energia cara para a qual a sua indústria não estava preparada.
Com o choque do custo da energia veio, mesmo num ambiente de inflação elevada, a escalada do endividamento público que em poucos anos levou à insolvência da França e a um endividamento galopante na Alemanha e no Reino Unido. A solução do endividamento supra nacional é uma falsa solução que, obviamente, não engana os mercados financeiros.
A inflação corrói o poder de compra dos trabalhadores e atua como um imposto injusto sobre os rendimentos dos europeus, acentuando desigualdades e levando a pobreza a novas camadas sociais. Em Portugal as barracas voltam a proliferar, as mortes excessivas batem recordes.
Com a economia estagnada ou em recessão e as finanças públicas de rasto o Estado Social afunda-se. E as migalhas que ainda restam são disputadas ferozmente entre cidadãos de primeira e de segunda (os imigrantes), numa guerra civil surda e cada vez mais violenta. A França ou a Alemanha, para salvar as suas finanças públicas, podem ter que optar por sair do Euro e com isto lançar a Europa no caos económico e político. Portugal deve, desde já, preparar planos para reintroduzir o escudo ou o conto.
Simultaneamente a União Europeia cometeu hara-kiri na sua relação com a China, com a sua política declarada de “de-resking” com vista a reduzir a interação com esse país, comprometeu o único grande parceiro alternativo aos estados Unidos, escolhendo ficar completamente dos americanos.
Naturalmente, os Estados Unidos nunca pretenderam entrar em confronto com a Rússia nem pretenderam provocar uma derrota russa, porque uma guerra nuclear não pode ser ganha, mas apenas cortar a Rússia da União Europeia e substituir os fornecimentos russos por fornecimentos americanos. Por outro lado, os EUA, pretendem manter um controlo completo sobre a União Europeia, o que nunca poderia ser possível se esta engolisse a Rússia, tornando-se a maior potência do globo. Podemos concluir que a Ucrânia serviu como armadilha à União Europeia. E os dirigentes europeus caíram nela de olhos fechados.
Depois de centenas de milhares de milhões de euros canalizados para a Ucrânia, sem qualquer retorno à vista, depois de verem aumentar os custos da energia, depois de terem aumentado o endividamento de forma insana, depois de centenas de cidadãos europeus mortos em combate, depois de ver a sua credibilidade entre a comunidade internacional desfeita, à União Europeia restam duas estratégias alternativas: negociar com a Rússia e aceitar a paz ou tentar escalar a guerra a um ponto que os americanos tenham de intervir a seu lado. Erradamente escolheram este último caminho.
Macron, prestes a ser destituído, deu ordens já este mês aos hospitais para se prepararem, até março de 2026, para receber 10.000 soldados francesas feridos, por mês, vindos da Ucrânia. A loucura total. Macron anuncia o caminho – a Guerra contra uma das maiores potências nucleares do mundo! A guerra nuclear! A insanidade no poder.
Mas esta insanidade tem explicação. É que a alternativa da Paz, tem um preço para a União Europeia. A decadência, a estagnação económica prolongada, a perda das suas últimas posições no mundo, a total subordinação ao império americano. As boas relações económicas com a Rússia não regressarão. A Europa fica isolada no mundo. E só lhe resta o apoio dos Estados Unidos. O sonho da independência estratégica da União Europeia desfeito. Percebe-se, então, que entre a espada e a parede alguns dirigentes escolham a espada. Um último e louco esforço para concretizar um sonho que já sabem impossível. Como Hitler que só aceitou a derrota quando os soldados soviéticos chegaram a Berlim – uma insensatez que causou milhares de mortos alemães sem qualquer justificação e que só piorou as condições da derrota.
A aposta na indústria militar, com gastos prometidos na ordem dos 5% do PIB anualmente, só pode levar a um destino, à ruina económica e a guerra. Para já leva a um aumento das importações de material de guerra dos Estados Unidos. Parte com destino à Ucrânia e outra para consumo próprio. Tudo para escalar e alastrar a guerra. E uma guerra nuclear na Europa só pode significar uma coisa – longos anos de doença e pobreza na Europa e, provavelmente, ao fim da União Europeia.
No célebre verso de John Donne pergunta-se “por quem os sinos dobram” e geoestrategicamente a resposta parece ser pela União Europeia.
É preciso que este grupo de dirigentes europeus seja afastado, para que se possa construir uma Europa segura e em Paz.






3 Responses
Obrigada pela informação e partilha do conhecimento
Muito bom.
Resta aos povos europeus uma verdadeira tomada do poder e impedir assim a catástrofe.
Lucidez! Obrigado pelo esclarecimento, pena que os meios de comunicação, em geral, não comuniquem a realidade dos factos e os interesses subjacentes. Análises como a sua demonstram como a Europa está perdida e os seus cidadãos reduzidos a sonâmbulos, prestes a adentrar na mais terrível escuridão, o abismo.
“No fim, ainda que os sábios aceitem as trevas,
porque se esgotou o raio nas suas palavras, eles
não entram docilmente nessa noite serena.”
Grato