
Por: João Grazina Santos e Flávia Almeida Oliveira
Membro Efetivo nº16897 e Aluna de Gestão de Empresas (ISCAC)
A economia portuguesa atravessa, em 2025, um período de consolidação, navegando com uma estabilidade que supera as expetativas mais cautelosas. As projeções apontam para um crescimento do PIB entre 1,9% e 2,1%, uma ligeira aceleração face a 2024 e um desempenho consistentemente superior à média da Zona Euro. Este cenário, contudo, é uma tapeçaria onde fios de robustez se entrelaçam com vulnerabilidades estruturais. A bonança não pode ocultar os desafios profundos que exigem coragem reformista.
A Superfície Aparente: Indicadores em Melhoria
Os sinais macroeconómicos imediatos são encorajadores. A inflação estabilizou nos 2,1%, refletindo a normalização das cadeias de abastecimento e a moderação dos preços energéticos. O mercado de trabalho atinge níveis históricos, com uma taxa de desemprego de 5,8% e uma ligeira redução da precariedade para 16,5%. Os salários médios cresceram 4,2%, permitindo uma recuperação gradual, ainda que incompleta, do poder de compra dos portugueses após os choques inflacionistas.
Setores dinâmicos como o turismo confirmam a sua vitalidade, com receitas a superarem em 8% os já elevados valores de 2024. Paralelamente, a execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) aproxima-se do final, deixando um legado visível na transição energética – com as renováveis a representarem 67% da produção elétrica – e na digitalização da economia.
As Fundações por Consolidar: Desafios Estruturais
É, porém, sob esta superfície que residem as ameaças ao crescimento de longo prazo. A produtividade permanece o “calcanhar de Aquiles” da economia portuguesa, situando-se cerca de 18% abaixo da média europeia. Este défice é um entrave colossal à competitividade e à geração de riqueza sustentável.
A crise demográfica acentua-se, com a população ativa a diminuir 0,6% ao ano, pressionando a sustentabilidade da Segurança Social e limitando o potencial de crescimento. Em paralelo, a crise habitacional não arrefeceu: os preços das casas subiram 6% e as rendas novas aumentaram cerca de 9%, constituindo uma barreira crítica à atração e fixação de talento, como bem identifica Flávia Almeida Oliveira, estudante de Gestão. Estes fatores, combinados com o que muitos jovens sentem como uma “fraca valorização do trabalho qualificado”, minam a confiança e alimentam a fuga de cérebros.
Perspetivas e um Apelo à Ação Estratégica
As perspetivas para 2026 apontam para um crescimento moderado, entre 2,0% e 2,2%. Contudo, este cenário dependerá criticamente da capacidade de a economia absorver o fim do estímulo do PRR e de enfrentar um contexto externo volátil. A consolidação orçamental, com um défice projetado de 0,5% do PIB em 2025, será um exercício de equilíbrio complexo.
Para libertar o potencial de crescimento a médio prazo, Portugal deve concentrar-se em três frentes prioritárias, alinhadas com a visão da nova geração de gestores:
A economia portuguesa demonstra uma solidez notável, mas o seu futuro crescimento dependerá da capacidade de transformar o investimento europeu em ganhos permanentes de competitividade. Tal exige enfrentar, de forma corajosa, as reformas estruturais ainda pendentes e, acima de tudo, valorizar o mérito e o potencial dos jovens, transformando-os na verdadeira força motriz do desenvolvimento. O país não pode prosperar se a sua geração mais qualificada olhar para o futuro com um “misto de esperança e preocupação”. O momento de atuar é agora.





